terça-feira, 24 de março de 2009

A razão da mudança.







Hoje estou como o tempo, cinzenta, morna, apática.
Cada dia, queremos fazer dele o melhor dia do mundo. Mas quando ele acaba, achamos sempre que poderia ter sido melhor, que poderíamos ter feito mais, ou diferente.
Hoje é um dia, que nem parece Primavera.
Mas temos de acreditar, que apesar de tudo, o SOL está lá, escondido por detrás desta neblina, e que o calor que sentimos é dele que vem.
O SOL quando nasce é para todos. Só que há tanta gente à sombra.
À sombra do desmprego, da doença, da pobreza, e muitos à sombra duma pobreza envergonhada, em que se passa a omitir a verdadeira causa de não se ter comida.
A crise mundial, europeia, ou nacional, está a ser uma chicotada psicológica.
A maioria está em pânico por verem as barbas do vizinho a arder.
Mas nem mesmo assim não vejo as atitudes a mudar.
A economia está parada, mas os bancos nunca receberam tanto dinheiro em depósitos.
Todos estamos conscientes do medo. Do medo que nos traz a incerteza do futuro.
Mas será que alguma vez estivemos certos do que nos poderia acontecer no futuro?
O que hoje é, amanhã pode deixar de ser. E o que hoje não é, amanhã pode ser.
Nas nossas mãos está apenas e só a limitação. O livro arbitrio é apenas uma ilusão.
Acreditamos que somos donos do nosso destino, da nossa vida, mas não.
Somos apenas marionetas programadas e movidas pelo Universo.
Tudo está previsto e escrito, e não podemos mudar.
O que podemos mudar é a nossa essência. A nossa parte interior perante o que está programado.
E entrarmos no caminho do crescimento e da evolução.
Os revezes fazem parte dessa evolução. Ou aceitamos, ou nos revoltamos.
As pessoas não se encontram e desencontram por acaso. O acaso não existe. Há sempre uma intenção do Universo.
Quem alguma vez leu a Biblia, ou ouviu falar, deve saber que na Páscoa se se celebra uma passagem, uma transformação, um renascimento.
E que também ouviu falar da negação de Pedro três vezes antes do galo cantar, em como não conhecia Jesus.
Esse acontecimento foi informado por Jesus a Pedro muito antes de acontecer. Pedro negou que nunca trairia Jesus. No entanto tal acabou por acontecer.
Vamos tentar mudar a nossa mentalidade, a nossa maneira de ver os outros, de proteger o meio ambiente, de sermos generosos e tolerantes.
Mas ainda falta muito tempo. O homem não muda tão rápidamente.
Enquanto seres humanos de outras etnias estudarem em contentores, enquanto mulheres grávidas forem despensadas do trabalho e do seu salário, vamos todos continuar a sofrer.
E até parece que o país não está a envelhecer!
Lamento que quem pensa que tem poder, o use e abuse, e depois lave a mão como Pilatos.
Afinal só temos o que plantámos e talvez o que merecemos.
Se não aceitarmos a mudança, a transformação, mas sermos agentes dessa mesma transformação, continuaremos a queixarmo-nos, e nada será como nós queremos, mas como terá de acontecer.
Desabafei. Tomem nota, e tentem fazer de cada dia um dia com mais cor.

terça-feira, 17 de março de 2009

Parabens NI


Hoje o teu filho faz vinte e três anos. Mandei-lhe os parabens. Não me respondeu. Ainda continua zangado comigo.
Hoje faço-te esta homenagem, porque durante a tua vida, mostráste sempre ser uma guerreira, vivendo sempre na dualidade, que se impõe a uma geminiana.
Sempre oscilando entre o bem e o mal.
Quando estavas bem, apenas parecia que estavas, mas estavas também mal. Quando estavas mal, estavas péssima, e a tua doçura dava lugar a uma preversidade e a uma maldade nunca vista.
A doença, soube-se já muito tarde do que sofrias. E ninguém conseguia aturar-te, suportar-te. Só a mãe.
Aliás só as mães têm essa dose de abnegação, de solidariedade, de AMOR, que mais ninguém tem.
E como ela sofria quando tu não lhe atendias o telefone, ou não lhe querias abrir a porta.
Lembras-te quando uma noite me telefonas às quatro da madrugada, a despedires-te de mim, porque te querias suicidar?
Lembras-te?
Ainda não havia telemóveis. E eu consegui manter-te ao telefone, ouvindo e falando, até chegámos mesmo a conversar, para dar tempo de que alguém pudesse ir avisar a mãmã pela cabine, para que fosse rápido a tua casa.
Nós nunca te deixaríamos morrer. Nunca.
Nunca tiveste muita sorte com os homens. E eu que pensava que eu é que não tinha....
O último deixou-te morrer abandonada, sem apoio, sem ninguém. Mas era teu marido de papel, de contrato, até com o apelido tu ficaste....
Sei que morreste intoxicada, porque ninguém quis saber que tu existias.
Só nos chamou depois. Quando foi obrigado a chamar a policia.
Porque não o fez antes?
Hoje estou sozinha. E custa-me a conformar, e a aceitar.
Passo a vida a fingir, para que não me chateiem, e me digam apenas o que eu também se calhar diria.
Os meus filhos, e teus sobrinhos não são da minha familia. Eu é que sou da familia deles.
Olham em frente, e seguem.... Como eu fiz e tu também fizeste.
Foi o destino, dizem uns. Já tinha de acontecer dizem outros.
Mas lembras-te dos sonhos que tinhamos em crianças?
E lembras-te de te irritares por me chamarem o pendulo do colégio, por ser sempre muito certinha?
Lembras-te Ni?
Já não sou masi certinha. Agora deu-me para os disparates. Quero experimentar o que é estar à beira do abismo.
O que é a adrenalina. Como quando tu disparavas a cavalo e mais ninguém te agarrava.. Na Giolegã..
Se não tivesse sido essa doença, a BIPOLAR, que muitos psiquíatras nem sabiam que existia, e que te dopavam, e dopavam, e tu dormias e dormias... E diagnosticavam uma mera depressãozoinha...E trocavas a noite pelo dia e vice versa.
Sempre me invejaste. O papá dizia que quem muito inveja não medra.
E se calhar era verdade.
De mim, Ni. Porquê?
Se tu tinhas tudo e conseguias sempre tudo.
Eu nada sou, e nada tenho.
Porque havia duma irmã ter inveja de mim?
Nem sonhas porque estou a passar.
Um dia se nos encontrarmos por aí, eu conto-te. E voltamos a conversar.
Sabes, o ano passado estive em cima da "ponte", entre cá e aí. E foi enorme a agonia. Fizeram-me regressar. Para sofrer ainda mais.
Mas quando o meu tempo chegar, havemos de nos encontrar, e que seja rápidamente.
Tenho muitas saudades tuas, e do pápá e da mamã.
Sinto-me só.
E começo a estar cansada de ter de contiuar a representar.
Sabes os palhaços também choram, apesar de fazerem rir muita gente.
Até um dia, e vê lá se te emendas.
Perdoa-me se não soube cuidar de ti como devia.
Talvez ainda estivesses aqui, para conversarmos.
Um forte xi-coração de muita saudade. Até um dia.

segunda-feira, 16 de março de 2009

DIA SIM, DIA NÃO.....

Com três letrinhas apenas
Se escreve a palavra NÃO
É das palavras pequenas
Que me tira da razão.

É palavra que detesto
Pois trava qualquer questão
Nem sequer dá para falar
Logo no princípio é NÃO.

NÃO, disseram-me em criança
Para sair, para brincar.
NÃO, quando queria ir
Aos bailes para dançar.

NÃO, foi sempre a palavra
Que me fez de companhia
Que de tanto NÃO ouvir
Vivi, mas sem alegria.

NÃO era o que pensava
Se por acaso alguém amava
E era um NÃO que levava
Porque era o que esperava.

Incentivada, ou elogiada, NÃO!
Vivi sempre criticada
E achava que só merecia um NÃO
Porque alguém me suplantava

Sempre NÃO esteve presente
Pela minha vida fora
Que o SIM levou o seu tempo
Quando chegou aquela hora.

Depois vim a descobrir
Que há outras modos de o dizer
Esses são mais aguçados
E fazem-me mais sofrer.

São modos mais diplomáticos
Com palavras bem escolhidas
Ditas com sorrisos simpáticos
E de maneiras divertidas.

E se em criança eu ouvia
NÃO quero brincar porque és feia,
Hoje oiço, Desculpa, hoje NÃO dá
Ora volta, volta e meia.

Com um NÃO, se conta ao pedir
Qualquer coisa que queremos
Mas também pode vir um SIM
E nessa incerteza sofremos

Mas de tanto NÃO ouvir
E de tanto sofrer com isso
Hoje não sei dizer NÃO
Mesmo quando é preciso.

Amarfanhada outrora
Desvalorizada e insegura
Fui vivendo uma vidinha
Uma vida de Tortura

Já nada tenho a perder
E com muita ou pouca razão
Mesmo com o coração a doer
Eu vou ter que dizer NÃO.

NÃO aos sonhos que sonhei
NÃO ao que desejei outrora
NÃO ao retorno do passado
NÃO àquilo que sinto agora.

E porque não dizer SIM?
Sim, que gosto de mim.
Que AMO A VIDA e quero viver?
E vou vivê-la mesmo assim.

Ainda tenho algum tempo
Para AMAR quem nada tem
Vou-me dar, sim, e lembrar
Que há por aí mais alguém

Alguém, que recebe NÃO
e que também não mereça,
Que sente NÃO atrás de NÃO
Com um gesto de cabeça.

Hoje estou num dia NÃO
Amanhã num dia SIM
Quem manda é o coração
Todos temos dias assim.

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Ideal só existe nos sonhos!




Procura-se um Homem Ideal!
- Não fume, não tenha mau hálito nem unhas grandes e sujas;
- Seja lavadinho e não deixe a roupa espalhada por todo o lado;
- Arrume a casa de banho depois de a utilizar e não aperte a pasta de dentes a meio do tubo;
- Seja pontual e não veja só como prioritários os seus compromissos;
- Tenha meios de subssistência próprios, mas que goste de receber presentes meus, de me oferecer"pequenos nadas" de vez em quando e que saiba fazer surpresas tanto quanto apreciá-las;
- Tenha espírito de aventura, adore viajar e tanto se adapte ao conforto de um "chatêau", como de um saco cama ou a ficar dentro do carro, que uma tempestade ou uma paisagem idílica impediram de continuar viagem, sem que qualquer dos imprevistos seja razão para estragar a viagem;
- Queira viajar só comigo e deixe que cada um dos momentos vividos seja único, para ambos inesquecível;
- Não sofra de doenças contagiosas, tenha as vacinas em dia, faça um "check-up" médico anual e tenha um registo criminal limpo;
- Seja exigente consigo próprio e com os outros, mas saiba ser condescente quando as circunstancias assim o requerem;
- Seja optimista, capaz de ver sempre que um copo ainda está meio cheio e nunca que já está meio vazio;
- Goste de conversar na cama, à beira-mar, ou quando vamos às compras;
- Partilhe comigo as suas preocupações e me dê abertura para eu partilhar as minhas;
- Me saiba respeitar enquanto mulher, mãe e profissional, sem deixar de ser crítico nas situações e proporções ideais;
- Respeite a minha independência, o meu ritmo, as minhas colecções e os meus trabalhos manuais;
- Sinta orgulho nas coisas que faço e não se importe por eu ainda não ter feito o mestrado;
- Goste de dormir do lado direito da cama, com quarto escurinho e a porta entreaberta;
- Adormeça comigo, não ressone e adore fazer amor pela manhã;
- Considere o sexo como algo de muito divertido e nada de muito sério que tenha de obedecer a frequência e calendários;
- Goste de passar algum tempo numa paisagem com neve e se enrosque comigo frente a uma lareira a beber chocolate quente;
- Goste de receber e dar mimos sem que, no entanto, se torne lamecha e "secante" (eu também preciso de respirar);
- Goste de "Jazz", cantos gregorianos, música instrumental, (especialmente saxofone), Bach, Chopin e Vivaldi, musicais da Broadway e em Londres, de espectáculos de bailado, de ir à ópera e a concertos a que se assista em lugares marcados;
- Goste de pintura impressionista, dos pré-rafaelistas, de visitar museus e me deixe exteriorizar a minha opinião sobre o que vejo sem me fazer sentir redícula e ignorante;
- Adore ir ao cinema, mas não me obrigue a ver filmes com o Stallone, Schwarzenegger, ou Bruce Willis, bem como os demasiado intelectuais japoneses ou de leste;
- Goste de petiscos, cerveja de pressão, de fazer piqueniques e de frequentar restaurantes de cozinhas exóticas e que deteste "fast food";
- Seja um cavalheiro nas suas atitudes;
- Não recorra à humilhação para alimentar o Ego;
- Seja organizado nas suas coisas e cumpra prazos;
- Seja criativo, empreendedor, dinâmico;
- Esteja lá quendo chego e ainda lá esteja quando parto;
- Saiba dosear a vaidade, a ambição e a humildade;
- Não se importe de partilhar alguns momentos com a minha familia e me deixe partilhar alguns também com a sua;
- Aceite os meus amigos e me mostre os seus deixando-me provar-lhe que não estou a mais e me sei encaixar no ambiente;
- Goste de receber amigos em casa, conviver e se divirta aos montes a jogar " Pictionary", Party & Co", e "Damas Chinesas";
- Venha a demonstrar esforçar-se por cada vez mais gostar dos meus filhos e me ajude a saber ajudá-lo, enquanto mãe;
- Goste de escrever bilhetinhos e de dar lllooonnnngggooosssss beijos;
- Não me obrigue a chorar às escondidas por achar que tal não passa de um sinal de fraqueza;
- Não exija compromissos que impliquem a assinatura de "papéis";
- Seja, antes de tudo o resto, o meu maior AMIGO!
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domingo, 8 de março de 2009

A invisibilidade da violência doméstica

Ninguém sabe, ninguém ouve, ninguém vê. Todos fingem.

A violência rodeia-nos.
A violência sufoca-nos de medo. Medo e vergonha que os outros saibam.
Medo de sermos vitimas ou voltarmos a ser.
E porque às vezes a dependencia do violador, é aparentemente irreversível. Há filhos para educar.

Não. Não é o status que se tem de manter. Mas os filhos que se tem de alimentar e educar.

Somos agredidos na rua, para nos tirarem os carros, as carteiras, os cartões multibanco.
Somos agredidos em casa, porque fomos atingidos pelo desemprego, e não temos contra quem nos revoltarmos, ou em quem descarregar a culpa.

Mas as crianças?

Quando a comida deixa de chegar para as crianças. Quando elas deixam de tomar um banho quente porque o gas foi cortado. Não é tudo isto uma violência?

E quando o companheiro, ou marido, chega a casa depois dum dia em que não conseguiu emprego, ou depois de ter gasto tudo no casino, ou simplesmente, porque não tem coragem para acabar com a relação e encetar uma nova, com a secretária, e descarrega na mulher, na companheira, às vezes, na mãe dos seus filhos, a raiva, a frustração, apenas por uma gota de água.

E tudo fica no silêncio da casa.

Os amigos fingem não perceber, os colegas, não comentam pelo embarasso, os filhos alheiam-se por não conseguirem uma solução. Mas a violência existe, sim.

E como dizia Maria de sessenta anos, à porta do consultório, falando dum ex-marido que a violava e a violentava aos vinte anos, e que ela acusava como tendo sido o responsável pelo pelo suicidio do filho: - Sabe nós à noite perdoamos tudo!


Eu digo, que nem de noite nem de dia se pode perdoar um qualquer monstro, que usa o seu poder económico, social, ou até a sua força fisica, para nos subjugar para nos violar e nos humilhar.


Quando será que conseguimos parar de fingir. Parar de nos acobardarmos?

E o sistema nada faz. E se a vitima se defende em legitima defesa, " aqui d'El-Rei" que não podia fazer justiça pelas proprias mãos.


Até quando?

A criminalidade está aumentar, sim. A pobreza também.
Mas porque se finge que nada se vê, nada se ouve, de nada se sabe?

Porque continuamos neste teatro, que acaba inevitávelmente em tragédia.

terça-feira, 3 de março de 2009

Mate-se o mensageiro!

O Poder da Televisão, sim ou não?
Quando apareceu a televisão, foi um espanto. Poucas pessoas podiam aceder a poder ver a imagem em tempo real. Estávamos em 1958.Introduziu-se nas nossas casas, de mancinho, com pézinhos de luva.Mudou de cinza, para cores.Passou de caixote, a uma janela.Hoje, come e dorme conosco.E nós deixámos de ter a nossa vida. A própria. Para vermo-la girar á volta dela.Penso, e já numa posição bem fundamentalista, que a televisão é o ópio do povo.As familias não se reunem, não conversam, não existem.A lareira de antigamente foi substituida pela televisão.Mas ela preenche-nos alguma solidão. Sim. Mas manipula-nos. E neste momento deprime-nos.E tudo porque o que vale, não é quem vê televisão, são as audiências, que fazem render rios de dinheiro com a publicidade.E essas audiências não são selectivas. Consomem tudo. TUDO.E neste particular momento social, politico e económico que o país atravessa, não há uma noticia positiva.Porque todos sabemos que o ser humano gosta de sangue, de tragédia.E essa morbidez humana é explorada até à exaustão.E assim se cria um país de deprimidos, de desistentes, de gente cinzenta, que repete e fala vezes sem conta tudo o que ouve na televisão.Fizeram aumentar as audiências, mas já nada lhes apetece fazer, porque já nada importa, porque todo o seu cérebro está mais do que ocupado no lamento, na queixa, na especulação, para se dedicar a pensar em como dar a volta e renascer das cinzas.Onde estaríamos nós se no tempo de D. Manuel I, existisse a televisão..., ou melhor do mau uso que lhe estão a dar enquanto responsável por simplesmente informar.