
Se todos soubessemos quanto ainda tínhamos de vida, viveríamos provávelmente duma maneira diferente.
O problema é a ilusão que a própria vida nos dá duma certa eternidade, ou perpetuidade.
E nestas coisas do tempo e da vida, e da correria na vida contra o tempo, acabamos por perder a essência da própria vida. Afinal o que vale ou não vale a vida, a nossa vida. E a vida dos outros?
Se todos tivessemos consciência de que viviamos a termo certo, decididamente que, só pelo facto de sabermos aceitar esse prazo, essa condicionante, o nosso comportamento levar-nos-ia a agir e a reagir duma outra forma.
Talvez não houvesse tanto desespero, tanta ansiedade, tanta angustia motivados pelo medo.
Todas as nossas contas estariam saldadas ao final de cada dia. E refiro-me às emocionais, àquelas que deixamos sempre para resolver no dia seguinte, ou até acabamos por nunca resolver. E mesmo as outras, as que sobrevivem do crédito...
Todos temos um prazo de validade, findo o qual já não serviremos para mais nada.
Mas até lá, desperdiçamos tanta coisa, fazemos tanta coisa horrivel, aos outros e às vezes a nós próprios, na busca duma ilusória felicidade.
A felicidade está na paz, ou no equilibrio que cada um consegue consigo próprio.
É realmente dificil encontrarmos equilibrio, neste mundo cada vez mais desiquilibrado, em que imperam os valores materiais, e que sobrepõem ao respeito pelos direitos do Homem.
De cada dia farei como se fosse o ultimo, e se houver o amanhã, assim continuarei.
Nada por dizer, nada por escrever, nada para oferecer.
E quando chegar ao fim do prazo, por favor, não me ergam memoriais ou lápides que não posso ver, não me façam discursos que não vou ouvir, e não me mandem flores que não vou cheirar.
É aqui e agora que eu sinto e sei QUEM tem carinho, amizade e amor por mim.
Depois... não sejam hipócritas, mas podem chorar ou gritar à vontade. Eu já não vou sentir.




